domingo, 5 de abril de 2009

Primeira impressão .

O óbvio foge aos olhos . Me pergunto se notam minha ausência de alma em dias como esse, apenas outra terça feira onde fica difícil prender os olhos nos números, nas tantas explicações sobre os homens e a vida . No fundo, eu respeitosamente duvido que meus próprios professores entendam plenamente seus significados, seus mistérios .
O conhecimento basta para a razão mas não para mim .
Eu quero sentir .
Esse momento é meu agora... de lamentar que poucos me enxerguem como eu realmente sou . Não que eu me sinta invisível . Desaparecer agora até seria conveniente .
São as pessoas que estão vazias de mim .
O sinal toca e um a um, deixamos o coletivo na sala e partimos pros nossos mundos dentro da gente .
Eu quero falar sobre tudo que deixamos de enxergar, preocupados demais com nós mesmos .
Assim, um passo fora da sala, assisto um colega que joga um pedaço de papel no chão, dá dois passos, passa por um lixo, e segue seu caminho .
Alguns minutos depois, Dona Maria aparece, recolhe este e mais alguns papéis do chão e os joga no lugar que deveriam estar .
O lado da conveniência ? ‘ Se eu não sujasse, ela não teria emprego‘ . O lado da verdade ? Dona Maria tem 46 anos, é divorciada, tem 3 filhos, mora em uma casa simples, pega 3 onibus para chegar na escola todos os dias pois assim garante o almoço e o estudo pra sua família .
E quem quer saber da dona Maria ? Muitos não sabem nem seu nome ! Passamos por ela umas 10 vezes sem ao menos cumprimentá-la . Ela está no nosso dia-a-dia, faz parte da rotina, do nosso meio de viver e precisa manter o espaço limpo pra receber seu salário dignamente . E quem se importa ?
O fato é que é muito mais facil ignorarmos ... do aquecimento global até pessoas como dona Maria, porque assim não precisamos justificar nossa dívida com o mundo .
O sinal bate outra vez e o pátio é coberto por lixo .
Todos voltam para sala pra recomeçar a aula e eu me pergunto, estamos mesmo aprendendo a viver ?

Nenhum comentário:

Postar um comentário